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Brincadeiras da Nossa Infância: 10 Jogos dos Anos 70 e 80 para Ensinar aos Netos

Amarelinha, bolinha de gude, pião e elástico: relembre as brincadeiras de rua da infância e aprenda a ensinar cada uma aos netos, sem gastar nada.

Avô ensinando neto e neta a jogar bolinha de gude numa calçada de bairro ao entardecer

Fonte: Acervo Almanaki

Redação Almanaki

Almanaque Digital Brasileiro

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O neto pede o celular antes mesmo de tirar o tênis. A cena se repete em quase toda casa com avó ou avô por perto, e o instinto de muita gente é ceder, porque discutir cansa e o silêncio de uma tela é tentador depois de um dia inteiro em pé. Mas existe um jeito de trocar essa tela por alguma coisa que também prende a atenção da criança, só que sem fio, sem bateria e sem review de conteúdo: as brincadeiras que ocupavam a rua inteira nos anos 70 e 80.

Não é sobre bater de frente com o tablet nem proibir o WhatsApp da criançada. É sobre ter, na manga, dez opções que já foram testadas por uma geração inteira e que continuam funcionando, porque dependem só de corpo, chão e imaginação. Quem cresceu nessa época não precisa lembrar as regras de cabeça: elas voltam sozinhas, no primeiro giz riscado na calçada.

Resposta rápida: a chave para ensinar essas brincadeiras sem soar como aula de história é entrar junto na disputa, não ficar só explicando de fora, e escolher a brincadeira certa para o espaço que a casa tem, seja quintal, garagem ou sala de apartamento.

Na calçada e no meio da rua

A amarelinha era o primeiro desenho que qualquer criança aprendia a fazer sozinha com um pedaço de giz ou carvão. Dez casas numeradas, uma pedrinha lisa como marcador, e a regra que ninguém explicava mas todo mundo sabia: pisar na linha era perder a vez. Para ensinar hoje, comece riscando você mesmo o desenho no chão, sem pedir para a criança fazer, e jogue a primeira rodada sozinho, exagerando no equilíbrio ao pular no pé só. Curiosidade quase sempre puxa a criança para dentro do jogo antes da segunda rodada.

Duas crianças brincando de amarelinha desenhada a giz na calçada

Bolinha de gude é outra que sobrevive até hoje em praças e escolas, e não por acaso: em 2019, a Prefeitura de Araguaína, no Tocantins, organizou um festival de lazer municipal com campeonato de bola de gude ao lado de disputas de pião, pipa e pula-corda, num esforço público para trazer de volta uma brincadeira que fez sucesso nos anos 90. A notícia do evento mostra times de jovens e adultos disputando modalidades como triângulo, buraco e combate, as mesmas variações que existiam décadas atrás. Do outro lado do país, na Ilha do Bororé, zona sul de São Paulo, um campeonato parecido reuniu crianças de 4 a 13 anos jogando as mesmas regras, prova de que a brincadeira atravessa gerações sem precisar de manual. A cobertura da Agência Mural vale a pena ler antes de propor a brincadeira em casa, porque traz as variações de regra usadas em cada bairro. Para começar, um círculo desenhado no chão e cinco ou seis bolinhas já bastam; o desafio é ensinar a mirar com o polegar sem lançar a mão inteira, que é o erro mais comum de quem nunca jogou.

Pião pede um pouco mais de paciência de ensino, porque enrolar a corda direito é a parte difícil, não o jogo em si. Vale treinar o enrolamento longe da criança primeiro, para não passar frustração, e só depois mostrar o movimento de soltar puxando com força. Pião de plástico com ponta de metal, encontrado em qualquer papelaria, já resolve para a primeira experiência.

No quintal, sem gastar nada

Pipa, ou pandorga como se chama no Sul, continua sendo a brincadeira que mais depende do lugar certo: espaço aberto, vento e nenhum fio de energia por perto. Dá para comprar pronta, mas a versão feita em casa com saco plástico, varetas de bambu fininhas e cola quente rende uma tarde inteira de montagem antes de rodar a linha na carretilha. É um dos raros casos em que o processo de fazer já é metade da brincadeira.

Cama de gato dispensa qualquer investimento: um pedaço de barbante ou lã de uns setenta centímetros, amarrado nas pontas, e as figuras vão surgindo conforme os dedos entrelaçam o fio, sozinho ou em dupla passando a figura de uma mão para outra. É a única brincadeira desta lista que cabe inteira em cima de uma mesa de cozinha, ideal para dia de chuva ou apartamento sem varanda.

Cabra-cega também pede pouco: uma venda nos olhos, um espaço livre de móveis quinados, e a criança guiada pelos outros por som e voz. A graça está no susto controlado, e funciona tanto no quintal quanto numa sala vazia.

Quem não arrisca não petisca, dizia a vovó, cada vez que alguém hesitava antes da primeira jogada.

Em roda, com música

Cinco marias usava sacos de pano pequenos, cheios de arroz ou areia, jogados para o alto enquanto a mão pegava um do chão sem deixar o de cima cair. As avós costumavam costurar os próprios sacos com retalho de pano velho, e essa parte pode virar uma atividade a mais antes mesmo de começar a jogar: costurar junto já é convívio.

O elástico, ou calçadão, entrava em cena quando duas pessoas seguravam as pontas de uma fita elástica costurada em círculo, e uma terceira pulava seguindo uma sequência de alturas que ia do tornozelo até a cintura. É brincadeira de disputa em grupo, então funciona melhor com três ou mais netos, ou com um adulto segurando uma ponta enquanto o outro entra no revezamento.

Avó segurando as pontas de um elástico enquanto a neta pula no quintal

Pular corda também sempre veio com cantiga: “um, dois, feijão com arroz” marcava o ritmo, e cada erro passava a vez adiante. Ensinar a cantiga junto com o pulo facilita mais do que parece, porque a música dá o compasso que a criança ainda não tem no corpo.

Quando dava para reunir a turma toda

Taco, ou bets, era o beisebol de rua improvisado: um cabo de vassoura no lugar do bastão, uma bola de meia ou de tênis furada, e bases marcadas com pedra ou chinelo. Precisa de um mínimo de quatro ou cinco crianças para funcionar direito, então é a brincadeira certa para reunir primos e vizinhos num domingo à tarde, não para dois netos sozinhos.

📢 Convite pronto para o grupo da família

"Gente, que tal um domingo sem celular? Vou separar giz, bolinha de gude e um elástico e ensinar os pequenos a brincar do jeito que a gente brincava. Quem quiser trazer os filhos e netos é só chegar depois do almoço.

👉 Veja a lista completa de brincadeiras no Almanaki: https://almanaki.com/blog/brincadeiras-antigas-para-ensinar-aos-netos/"

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Por que vale insistir mesmo quando a criança resiste

Passa anel fecha a lista como a mais simples de todas: um anel escondido na mão fechada, uma fileira de mãos em concha recebendo o toque de quem passa, e uma adivinhação no final. Não precisa de nada além das próprias mãos, e por isso é a que menos desculpa admite: cabe em qualquer lugar, a qualquer hora, até esperando a comida esquentar no micro-ondas.

Faz sentido perguntar se vale o esforço de ensinar algo que a criança nunca pediu. Uma pesquisa do Cetic.br, órgão ligado ao Nic.br que mede o uso da internet no país desde 2012, mostrou que 93% da população de 9 a 17 anos no Brasil já é usuária de internet, e que 28% desse grupo começou a acessar antes dos 6 anos de idade, quase o triplo dos 10% registrados em 2016. O levantamento completo está no site do Cetic.br. O número não é motivo de pânico, é só um retrato de uma infância que começa cedo demais na frente de uma tela e tarde demais no meio da rua. Uma tarde de amarelinha não substitui a internet, mas devolve algumas horas de um jeito de brincar que também ensina a perder, esperar a vez e negociar regra com quem está do lado.

Comece pela mais fácil de explicar, deixe a criança errar sem corrigir demais nas primeiras rodadas, e guarde o giz na gaveta da cozinha para o próximo domingo de chuva ter uma resposta pronta.

Fontes consultadas: Cetic.br, TIC Kids Online Brasil · Prefeitura de Araguaína · Agência Mural

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Você sabia?

Perguntas da redação

O neto não tem giz nem bolinha de gude em casa, dá pra improvisar?

Dá, e às vezes fica até melhor. Amarelinha se desenha com um pedaço de carvão ou até com fita crepe no chão da varanda. No lugar da bolinha de gude, tampinha de garrafa ou botão grande resolve para uma primeira brincadeira, até comprar as de vidro de verdade numa papelaria ou loja de 1,99.

Funciona em apartamento, sem quintal e sem calçada?

Metade da lista sim. Cama de gato, passa anel e cinco marias nasceram para mesa, tapete e sala pequena. Amarelinha e elástico pedem um corredor ou a garagem do prédio; pião e pipa é que realmente precisam de espaço aberto.

E se a criança perder o interesse rápido, como quase tudo hoje em dia?

É normal nos primeiros minutos, porque ela está acostumada a um estímulo que responde na hora. O pulo é entrar junto na brincadeira em vez de só ensinar de fora: quando o avô ou a avó também joga, disputa e comemora, o interesse dura muito mais do que quando a criança brinca sozinha enquanto é observada.

Precisa comprar algum equipamento caro para começar?

Não. Das dez brincadeiras, oito não custam nada além do que já tem em casa (giz, barbante, meia velha, tampinha). Só pião e pipa pedem uma compra pequena, e mesmo assim dá para fazer pipa de saco plástico e varetas de bambu, do jeito antigo.